terça-feira, 4 de agosto de 2009

MANEJO SANITÁRIO DOS EQÜINOS

O Manejo Sanitário de um rebanho visa prevenir doenças e males que possam interferir negativamente na saúde de nossos animais.
Deve ser uma prática corriqueira e de rotina em nossas criações, pois desta forma estaremos otimizando ao máximo tudo aquilo que fornecemos ao animal.
Um bom estado de saúde permite ao animal potencializar os ganhos nutricionais: ao potro em crescimento permite um ótimo desenvolvimento, à égua em reprodução ciclar e gerar um produto saudável e ao animal de esporte e trabalho desenvolver plenamente suas atividades.
De nada adianta uma preocupação intensa com genética, alimentação e treinamento se, aliado a tudo isso, o animal não estiver saudável. Um bom manejo sanitário leva o animal a este estado de saúde preventivo, inclusive economizando com o tratamento das mais diversas patologias que são muitos mais caros que a própria prevenção.
O manejo sanitário pode ser dividido em 4 partes:
1. Controle de Endo-Parasitas.
2. Controle de Ecto-parasitas.
3. Controle de Anemia Infecciosa Eqüina
4. Controle de Doenças através da Vacinação.






-CONTROLE DE ENDO-PARASITAS






É o controle de verminoses que habitualmente afetam os eqüinos.
Os eqüinos por seus hábitos alimentares, estão freqüentemente sujeitos a alta infestação de vermes em seu trato intestinal.
Estes vermes devem ser combatidos, pois eles se alimentam dos animais, debilitando seu organismo e comprometendo sua saúde e seu desempenho.
Existem diversos tipos de vermífugos, com diferentes apresentações e composições, diferentes preços e resultados.
Os vermífugos para eqüinos de uma forma geral, apresentam-se para prescrição oral podendo ser granulado, líquido ou pasta.
Os mais comumente encontrados e mais eficazes são encontrados em pasta, porém com diferenças significativas em sua composição e resultado.
Os princípios ativos dos vermífugos podem ser:
Benzimidazóis: grupo antigo e que encontra resistência em grande parte dos vermes, tendo sua eficácia comprometida pelo uso indiscriminado.
Organofosforados e Organoclorados: Também existem há bastante tempo, porém são eficazes para a maioria dos vermes, mas devem ser administrados com cuidado por sua toxicidade, principalmente em éguas prenhes.
Praziquantel e Pamoato de Pirantel: Princípio Ativo bastante eficaz para alguns grupos de vermes, mas não é muito abrangente, sendo muito utilizado em associações com outros princípios.
Ivermectinas: Princípio Ativo descoberto na década de 80, muito eficaz no combate à maioria dos vermes. Porém seu uso indiscriminado e em sub-doses tem levado a alguns casos de resistência. Quando oriundo de uma empresa idônea e aplicado seguindo critérios recomendados, é confiável e eficaz. Tem sido muito utilizado em associação com Praziquantel ou Pamoato de Pirantel, o que amplia seu espectro de ação e sua eficácia.
Moxidectin: Princípio Ativo bastante eficaz contra endoparasitas e contra ecto parasitas como carrapato. Possui o inconveniente de um custo bastante elevado.
Devemos nos preocupar com qual tipo de vermífugo vamos utilizar. Se o produto é muito barato, atenção à sua qualidade e eficácia. Produtos muito baratos em geral exigem maior número de aplicações, tendo um custo anual semelhante a uma Ivermectina de boa qualidade, por exemplo.
Um esquema de vermifugação bastante eficaz deve incluir um controle parasitário através de análise de fezes periodicamente. Mas nem sempre isso é possível, então realizamos uma rotina de aplicação de vermífugos de tempos em tempos.




-Esquema de Vermífugação





- CONTROLE DE ECTOPARASITAS

Ectoparasitas são parasitas que vivem na pele ou sob a pele e se alimentam do animal causando prejuízos por comprometerem o desempenho e a saúde dos animais.
Os mais comuns são:
· Carrapatos: É um ectoparasita hematófago, isto é, que se alimenta de sangue que diminui a produtividade e desempenho, podendo ainda transmitir doenças como Nutaliose/Babesiose que afetam gravemente o animal, causando anemias.
O carrapato deve ser combatido através de um manejo adequado com carrapaticidas. O importante de se saber quanto ao ciclo do carrapato é que ele apenas se alimenta no cavalo, passando a maior parte da vida no meio ambiente, portanto, ao se pulverizar o animal, estamos atingindo apenas pequena parte dos carrapatos existentes. Desta forma, um controle eficaz dos carrapatos demora certo tempo, até anos, para podermos quebrar seu ciclo. Alguns carrapaticidas do mercado não matam o carrapato, mas comprometem sua reprodução, quebrando desta forma seu ciclo. Outros atuam diretamente no carrapato matando-o, mas para atingir os outros carrapatos do meio ambiente, o carrapaticida precisa ter um efeito residual eficaz. Para cavalos temos poucos produtos realmente eficazes e seguros. Um princípio ativo que se tem mostrado eficaz sem comprometer a saúde do animal é a Cipermetrina. Muito cuidado com produtos à base de Amitraz, pois este princípio pode causar problemas neurológicos e distúrbios como cólicas em alguns animais. De qualquer forma, além da pulverização do animal, devemos atentar para cuidados com as pastagens para diminuir o número destes parasitas.
· Bernes: É um estágio larval da mosca Dermatobia hominis. A mosca adulta mede 12 a 15 mm e vive apenas 4 dias. Neste período fixa seus ovos em diversos insetos hospedeiros que o transmitem aos mamíferos (especialmente cães e bovinos e mais raramente, eqüinos) e que pode ser na pele íntegra do animal, quando haverá eclosão dos ovos e desenvolvimento desta larva por 40-50 dias, chegando a medir 5 a 6 cm. Após este período caem no chão, e completam seu desenvolvimento transformando-se em pupa e depois no animal adulto após 35 a 40 dias. Deve ser controlado, pois causa grande desconforto ao animal. Apesar de não ser comum em eqüinos, temos observado muitos casos deste parasita, talvez devido à maior incidência de lixo e da proximidade dos cavalos aos grandes centros.
· Miíase: Também chamada de Bicheira. É a larva da mosca "varejeira" que se desenvolve em uma solução de continuidade (ferimento aberto) e em grande quantidade (a fêmea chega a colocar 1000 ovos de uma vez). A característica principal da miíase é o odor extremamente desagradável que se segue com o desenvolvimento das larvas. É facilmente prevenida através de limpeza e assepsia correta dos ferimentos. Em caso de instalação de miíase em um ferimento, este deve ser limpo, todas as larvas retiradas e feito curativo local diariamente.
· Habronemose: É causada por invasão errática de larvas do Habronema sp (um verme intestinal) em ferimentos exsudativos (com secreção). No ciclo do Habronema a mosca pousa nas fezes de um animal infestado e passa a ser um hospedeiro intermediário. Ao pousar no animal, em ferimentos exsudativos, transmite ao animal o habronema que se desenvolve passando a formar uma ferida bastante difícil de ser curada e tratada, podendo levar anos para a cicatrização efetiva. Manifesta-se por lesões de pele ou escoriações em geral no canto interno do olho, na linha média do abdômen e nos membros, abaixo da canela. Ocorre um a proliferação muito intensa de um tecido granuloso que não cicatriza. O tratamento consiste na remoção deste tecido além de aplicação de Ivermectinas associadas a Organoclorados e produtos cicatrizantes.


-CONTROLE DE ANEMIA INFECCIOSA EQÜINA


A Anemia Infecciosa Eqüina é uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus, caracterizada por períodos febris e anemias que se manifestam de forma intermitente, sem cura.
Sua transmissão ocorre por picada de insetos hematófagos e por fômites (material de uso contaminado).
Os sintomas podem ser Agudos (Febre Intermitente – 39º a 41º C, Depressão Nervosa, Fraqueza, Anemia e Morte entre 10 e 30 dias) ou Crônicos (Febre de 1 a 7 dias, normalidade, Febre novamente).
É altamente transmissível e como não tem cura, a única solução é o sacrifício do animal, pois compromete o desempenho de todo o rebanho.
É uma doença endêmica em alguns estados do Brasil e controlada em quase todos os outros. É de notificação obrigatória ao Ministério da Agricultura.
O controle se dá por exame laboratorial com validade por 60 dias, e é de porte obrigatório para trânsito de animais em qualquer parte do Brasil.
Infelizmente boa parte dos proprietários de cavalos não tem conhecimento de sua gravidade e não levam a sério seu controle, facilitando ainda mais sua disseminação.


domingo, 2 de agosto de 2009

Raças de Cavalos

Andaluz

*Origem:

Formada no Brasil com o cruzamento de reprodutores puro sangue lusitanos e pura raça espanhola entre si ou através de cruzamentos absorventes destes reprodutores com éguas nacionais.
*Características: altura média de 1.55 m., cabeça de perfil reto ou subconvexo, orelhas médias, pescoço forte e arredondado na linha superior, garupa arredondada, com movimentos ágeis e elevados e grande predisposição para a reunião. Nobre e dócil, com temperamento muito vivo.
*Aptidões: sendo fogoso, porém dócil, e tendo grande facilidade para o aprendizado, presta-se para o adestramento, passeios, enduro, hipismo rural e trabalhos com o gado.





Appaloosa
*Origem:
Introduzidos no Continente Americano pelos conquistadores espanhóis os Mustangs manchados de branco-salpicado nas regiões do dorso, lombo e garupa foram utilizados pelas tribos dos indígenas Nex Perce, às margens do rio Pelouse no noroeste dos E.U.A.. após a derrota dos indígenas em 1877, os cavalos foram leiloados e somente a partir de 1938 passaram a ser selecionados no Oeste dos Estados Unidos, cruzando-os com o Quarter-Horse e Puro Sangue Inglês.

*Características:
Altura média de 1.50m, temperamento vivo, bom caráter, cabeça com fronte ampla, perfil reto, orelhas pequenas, olhos grandes, boca pouco profunda, pescoço médio em linha superior e inferior retas. Dorso e lombo curtos e garupa levemente inclinada, espádua bem inclinada, membros fortes bem musculados, e cascos médios. Pelagem básica é o ruão, admitindo-se todas as outras, desde que as menchas preencham o padrão que envolve seis pelagens básicas: a glacial, leopardo, floco de neve, mármore, manta manchada e manta branca.
*Aptidões:
Corridas curtas, esportes hípicos diversos e lida com o gado.








Brasileira de Hipismo

*Origem:

Formada no Brasil com as mais importantes linhagens européias de cavalos de salto e adestramento, tais como Hanoverana, Holsteiner, Oldenburger, Trakehner, Westfalen e Sela Francesa, através de cruzamento entre si ou com magníficos exemplares Puro Sangue Inglês da América do Sul.

*Características:

Cavalo leve, ágil e de grande porte; com altura superior a 1.65m.; perímetro toráxico de 1.90m. e perímetro de canela de 21cm.; cabeça média de perfil reto ou subconvexo; pescoço médio bem destacado do peito e espáduas; cernelha destacada; dorso bem ligado ao lombo e a garupa; membros fortes e andamentos briosos, relativamente elevados e extensos. Possuem excelente mecânica de salto, coragem, inteligência e elegância nos movimentos. São admitidas todas as pelagens.

*Aptidões:

Suas características o tornam apto para quaisquer modalidades de salto, adestramento, concurso completo de equitação, enduro, hipismo rural ou até mesmo atrelagem.






Holsteiner

*Origem:

Raça selecionada no norte da Alemanha, região de Schleswig e Holstein, através do cruzamento de garanhões Puro Sangue Inglês com éguas de grande porte existentes na região. Os antigos cavalos de Holstein sofreram inicialmente pequena infusão de sangue Oriental e Andaluz, tendo sido considerados os melhores cavalos de carruagem do mundo, pelo seu grande porte, força, andamentos elevados e flexibilidade. Posteriormente, atendendo à demanda de cavalos para os esportes hípicos, foram cruzados com garanhões Puro Sangue Inglês, Anglo-árabes e Anglo-normandos, tornando-se uma das mais importantes raças de cavalos de salto e adestramento da atualidade.

*Características:

Cavalo de grande porte; com altura média de 1.70m.; ótima estrutura; bom caráter e temperamento; linhas harmoniosas; cabeça de comprimento médio, de preferência com perfil reto; pescoço bem lançado e levemente arredondado na linha superior; cernelha destacada; linha dorso-lombar média; garupa forte; membros fortes; com andamentos cadenciados, elevados e extensos, tendo excelente mecânica e grande potência para o salto. São admitidas todas as pelagens, porém a predominante é a castanha e a tordilha.

*Aptidões:

Indicado para os esportes hípicos de salto e adestramento.




Mangalarga

*Origem:

Raça formada no Brasil com o cruzamento de um cavalo de origem andaluza, da Coudelaria Real de Alter, trazido por D. João VI e presenteado ao Barão de Alfenas, Gabriel Francisco Junqueira, cruzado com éguas nacionais também de origem ibérica, trazidas pelos colonizadores. Desses cruzamentos surgiram produtos de andamentos comodos de marcha batida porém tendo grande resistência e rusticidade, que foram chamados de Mangalarga. Trazidos para São Paulo, sofreram infusões de sangue Árabe, Anglo-árabe, Puro Sangue Inglês e American Sadle Horse, que imprimiram aos novos produtos a “marcha trotada”, e, foi por essa característica que a raça Mangalarga dividiu-se em duas: Mangalarga em São Paulo e Mangalarga Marchador em Minas Gerais.

*Características:

Cavalo de altura média de 1.55m.; cabeça de perfil reto ou subconvexo; olhos grandes; orelhas médias; pescoço de comprimento médio, musculoso; cernelha näo muito destacada; dorso näo muito curto; garupa semi obliqua; membros fortes; canelas curtas e quartelas com mediana inclinaçäo que lhe permitem uma marcha trotada sem muita elevaçäo e portanto comoda. A pelagem predominante é a alazã e castanha, sendo porém admitidas todas as outras.

*Aptidões:

Passeio; enduro; esportes e trabalhos com o gado.






Mangalarga Marchador

*Origem:

A raça teve sua origem em Minas Gerais no ano de 1812 quando Gabriel Francisco Junqueira, o Barão de Alfenas, recebeu de presente de D. Joäo VI um cavalo da Coudelaria Real de Alter, de origem andaluza. Cruzado com éguas nacionais, também de origem da Península Ibérica, porém de linhagens menos nobres, deu origem aos primeiros ‘Mangalarga Marchadores’. Selecionado para fazer grandes viagens, buscou-se aliar a comodidade a resistência e o brio.

*Características:

Cavalo versátil, rústico, resistente, cômodo e elegante; tendo porte médio com altura de 1.54m.; cabeça de perfil retilineo ou subcôncavo; orelhas médias; pescoço piramidal forte e ligeiramente arredondado na linha superior; cernelha bem definida; peito amplo; dorso e lombo curtos; garupa horizontal; membros fortes e andamento de marcha batida ou picada, porém, ambas com momento de tríplice apoio. São admitidas todas as pelagens, porém a predominante é a tordilha.

*Aptidões:

Passeio; enduro; esportes e trabalho com o gado.




































Raça Campolina


Campolina é uma raça de cavalos de sela (destinado a marcha e passeio) brasileira, junto ao Mangalarga marchador uma das mais importantes criadas neste país. É, ainda, uma das mais antigas, posto que sua conformação data do século XIX.
Seu nome deriva do apelido de família do seu criador, Cassiano Campolina.

Cavalo Campolina


Trata-se de um animal de grande estatura e marchador. Possue as características básicas do Marchador Mangalarga, do qual foi evoluído, mas em porte mais imponente. A cabeça é forte e muitas vezes o chanfro é acarneirado, mais próximo ao perfil do Crioulo do que propriamente do Mangalarga, os anteriores são mais imponentes que os quartos posteriores, sendo os ombros fortes e inclinados e a cavidade toráxica ampla e profunda, canas curtas e de bons ossos, mas, proporcionalmente, a garupa é estreita.
A base da raça, o Marchador e, ainda, o Crioulo (que era levado do Rio Grande do Sul para Minas Gerais) é, proveniente dos animais trazidos da Península Ibérica, portanto, Berbere e Árabe.
Altura: Se provir de boa criação, atinge 1,65m. Pelagem: Além das básicas, alazã e castanha, há a báia, de cor amarelada, crinas e membros negros e , às vezes, zebruras listras, raia da cernelha à garupa, etc.


O cavalo campolina é considerado marchador natural. Dócil, forte e cômodo, ele se destaca nas cavalgadas de média duração por sua beleza, imponência, já nas de longa duração o Campolina mostra força e resistência.
O Padrão Racial do cavalo Campolina já esta definido, mesmo sendo esta raça brasileira relativamente nova, pois começa sua seleção no final do século passado em Entre Rios de Minas, nos estado de Minas Gerais, por Cassiano Campolina.
Os criadores têm aprimorado as seleções mantendo o Padrão Campolina, que tem, entre outros, a marcha natural de tríplice apoio, cômoda, elegante, regular e desenvolta e animal de aparência nobre altiva, linhas harmoniosas e definidas com altura ideal para macho de 1,62 m e fêmeas 1,56 m, temperamento ativo e dócil, pescoço rodado em sua borda inferior.


Cavalo Campolina


Origem


Raça formada em Minas Gerais no Brasil, por Cassiano Campolina, a partir do garanhão Monarca, filho de uma égua cruzada com o garanhão Puro Sangue Andaluz-Lusitano da Coudelaria Real de Alter, pertencente ao criatório de D. Pedro II. Os descendentes de Monarca sofreram a infusão de sangue Percherão, Orloff e Oldenburguer e mais tarde do Mangalarga Marchador e Puro Sangue Inglês.


Características


Cavalo de bom porte com altura média de 1.55m, cabeça com fronte ampla, perfil retilíneo ou subconvexo, orelhas de tamanho médio, olhos médios, narinas elípticas, pescoço forte e rodado em sua linha superior, o peito amplo, dorso e lombo médios, garupa levemente inclinada com saída de cauda não muito alta, sendo admitidas todas as pelagens. Membros fortes, geralmente com posteriores atrasados, seus andamentos são a marcha batida ou picada com tríplice apoio.


Aptidões


Ideais para passeio, enduro, tração ou lida com o gado.

Doenças Eqüinas.

Mesmo diante dos mais cuidadosos tratos com o nosso amigo, o cavalo está sujeito às doenças infecto-contagiosas e algumas moléstias mais comuns.Por esse motivo o transporte de equinos é controlado em todo o país, e principalmente entre os países- membros do Mercosul, no caso desse último o certificado sanitário apenas será emitido se o resultado negativo for comprovado em laboratório oficial ou habilitado das seguintes doenças:

DOENÇAS INFECTO-CONTAGIOSAS:


Garrotilho

-Doença aguda provocada pela bactéria Streptococcus equi;
-Apresenta febre , depressão, corrimento nasal, tosse e gânglios linfáticos aumentados;
-É transmitido pelo pasto, alimentos, arreamentos, baias e água;
-Controle:
Vacinação;
Isolamento imediato do animal infectado;
Desinfecção das instalações e utensílios usado pelo cavalo

Tétano

-Altamente fatal;
-Caracteriza-se por contrações involuntárias e duradouras dos músculos;
-Hiperestesia e convulsões;
-Temperatura elevada (42 C);
-Paralisia dos músculos masséteres;
-As bactérias causadoras normalmente encontram-se nas fezes dos animais e no solo contaminado por estas fezes, as quais utilizam como via de acesso os ferimentos abertos;

-Controle:

Imunização com o toxóide tetânico;
Vacinação anual;
Limpeza e desinfecção dos ferimentos em geral;
Limpeza e desinfecção dos instrumentos cirúrgicos.

GRIPE EQUINA

-Também chamada de Influenza equina; -

-Doença viral altamente contagiosa;

-Mais comum em cavalos com menos de 3 anos;

-Sintomas: Febre, depressão, tosse violenta, apetite diminuído e descarga nasal sero-mucosa;

-Transmitido através gotículas da secreção nasal;

-Vacina FLUVAC;

-Isolamento de animais infectados;

-Desifecção de veículos e instalações.

RINOPNEUMONITE EQUINA

-Vírus herpes equino;

- Causa três síndromes:

Infecção aguda do trato respiratório superior;
Aborto;
Infecção do sistema nervoso central.

-Caracteriza-se por febre, tosse moderada e corrimento nasal seroso de aspecto transparente;

-É transmitido por inalação das gotículas da secreção nasal;

-Controle:

Vacinação;
Isolamento de cavalos recém introduzidos no plantel;
Desinfecção do material contaminado por éguas que abortaram.

ENCEFALOMIELITE EQUINA

-"Doença do sono";

-Caracteriza-se por febre alta, incoordenação, sonolência, perda parcial da visão, ranger dos dentes, deglutição dificultada e , em estágios mais avançados, paralisia;

-Transmitida por insetos que sugam sangue;

-O vírus não é transmitido de cavalo para cavalo;

-Única medida de controle - Vacina.

ANEMIA INFECCIOSA EQUINA (AIE)

-Vírus RNA (muito resistente);

-Caracteriza-se por períodos febris e anemia;

-Ainda apresenta falta de apetite, fraqueza, palidez das mucosas e edemas nas partes baixas do corpo;

- Transmissão:

insetos hematófagos;
emprego de instrumentos cirúrgicos e agulhas hipodérmicas não esterelizadas.

-Não existe tratamenro específico;

-Torna-se de suma importância as medidas profiláticas para o combate à doença;

-Verificação através da prova de Coggins.

BABESIOSE

-Conhecida também como Nutaliose ;

-Protozoário do gênero Babesia caballi e Babesia equi;

-Incubação de 8 a 10 dias, que no início da doença apresenta uma elevação de temperatura;

-ciclo febril remitente --> perda do apetite--> mucosas amareladas--> edemas localizados--> fezes cobertas de muco e grande eliminação de urina;

-Transmitida por carrapatos, que ao se alimentarem do sangue de seus hospedeiros, transmite a eles os protozoários responsáveis pela doença;

-Nessecidade de um controle cerrado dos carrapatos, tanto nas pastagens como nos cavalos através das aspersões de carrapaticida;

-Todos os cavalos independentes de estarem ou não com carrapatos, deverão ser submetidos ao tratamento.

ESTOMATITE VESICULAR

-Desenvolvimento de vesículas na boca e nas patas;

-Similar a febre aftosa dos ruminantes;

-Transmitida pela saliva e pelo líquido das vesículas de animais infectados;

-Controle isolamento e higiene dos animais doentes para que a doença se extingue;

-Identifica-se a doença através da prova ELISA.

Cólica

Esta síndrome caracteriza-se por uma dor intensa na região abdominal, levando o animal a um sofrimento angustiante e podendo levá-lo a morte.
Sendo a maior incidência em cavalos estabulados com regimes alimentares artificiais, os cavalos de esporte tornam-se uma preocupação constante dos proprietários e cavaleiros.
São duas as causas predisponentes mais frequentes:
-As ligadas à anotomia e fisiologia do animal;

-As ligadas ao regime alimentar.


LIGADAS À ANATOMIA E FISIOLOGIA
--> Pequeno tamanho do estômago, em relação a uma grande capacidade digestiva total;

--> Intestino delgado longo e preso a um amplo mesentério, livre na cavidade abdominal;

--> Ceco constituindo-se numa grande cuba de fermentação , com capacidade de cerca de 30 litros de conteúdo;

--> Intestino grosso (cólon maior) contendo flexuras que podem constituir-se em regiões de possível obstáculo à passagem de alimentos de baixa qualidade e mal digeridos;

--> Presença de algumas válvulas e constrições ( esfíncteres) que também podem transformar-se em pontos de obstrução à passagem do bolo alimentar;

--> Baixo limiar à dor, isto é, pequenos estímulos produzem grandes sensações dolorosas.

LIGADAS AO REGIME ALIMENTAR

--> Administração de grandes quantidades de alimento de uma só vez;

--> Utilização de alimentos deteriorados, mofados ou de baixa qualidade;

--> Mudanças bruscas de tipos de alimentos;

--> Emprego de pouco volumoso em relação a alimentos concentrados;

COMO IDENTIFICAR UMA CÓLICA ?

SINAIS CLÁSSICOS

-Inquietação, que se traduz principalmente por uma mudança de hábitos e temperamento e pelo bater insistente das patas anteriores no chão;

-olhares dirigidos ao seu flanco;

-Deitar e levantar frequentemente;

-Assunção de posturas anormais (às vezes, sent-se como um cão);

-Sudorese, que ser regional ou difusa etc....

Obs: TENDO SUSPEITAS , CHAME RAPIDAMENTE UM VETERINÁRIO

Contador de Visitas



Cavalos Pampa


Os cavalos malhados, conhecidos como pampas, durante muitos anos foram injustamente discriminados por uma minoria de criadores elitistas. Ao mesmo tempo, eram admirados por uma massa incalculável de aficionados, conquistando fama mundial ao desempenharem papel de "bandidos" nos filmes americanos de "western" e de guerra entre exércitos e índios. Montados pelos índios, geralmente a pêlo, estes cavalos malhados, autênticos "mustangs" das pradarias americanas, ainda hoje encantam olhares de milhões de telespectadores em todo o mundo, seja pela beleza de sua pelagem e conformação, pela coragem, a velocidade, a agilidade.
Não se pode considerar uma raça, mas sim um agrupamento de equinos portadores de uma pelagem em comum. Uma exceção é o "Paint Horse", o Pampa americano, cuja origem genética, conformação e aptidões funcionais são idênticas àquelas da raça Quarto de Milha. Ainda nos Estados Unidos existem os malhados conhecidos como pelo nome de "Pinto" (palavra de origem espanhola). A diferença principal entre ambos é que o "Pinto" não apresenta o tipo morfológico para o trabalho, que caracteriza a conformação do cavalo Quarto de Milha. A origem do cavalo malhado americano, data de 15l9, quando o explorador espanhol Hermando Côrtes trouxe para o continente americano uma tropa composta de 16 cavalos de guerra, entre os quais havia um branco com malhas escuras no ventre. Do cruzamento deste garanhão malhado com os nativos "mustangs" americanos originaram-se os cavalos "Pinto" e "Paint".Povoado por manadas de cavalos selvagens, o oeste americano foi desbravado nas patas de cavalos tobianos ( nome internacional da pelagem pampa ), com suas pelagens alegres, tornando-se as montarias de preferência dos índios e, particularmente, dos índios "Comanches", famosos pelas suas exímias habilidades como cavaleiros do oeste americano, mais velozes do que as cavalarias, diligências e trens. Os índios Comanches idolatravam os cavalos malhados, acreditando serem os favoritos dos Deuses.
No Brasil, não há registro de uma data precisa da primeira introdução de animais de pelagem tobiana, mas acredita-se que a pelagem foi introduzida através de alguns poucos cavalos de origem bérbere, trazidos pelos colonizadores portugueses e, principalmente, pelos cavalos holandeses, quando da invasão de Pernambuco. Com estas raças, também foi introduzido no Brasil um tipo de andamento naturalmente marchado, razão pela qual o Pampa brasileiro apresenta, além de suas belíssimas variedades de pelagens, outro relevante fator diferencial de mercado: a marcha. Esta característica funcional qualifica o cavalo Pampa nacional como um eqüino ideal para o lazer - passeios, turismo eqüestre, cavalgadas, enduros de regularidade. No mercado internacional, um Pampa marchador é uma "jóia" de inestimável valor, e raridade!
A origem do nome pampa é a seguinte: Em meados do século XIX o brigadeiro Rafael Tobias Aguiar, vencido na revolta da província de Sorocaba, interior de São Paulo, fugiu com seu exército para o Rio Grande do Sul, onde aderiu à batalha dos Farrapos. A maioria dos soldados montavam cavalos pampas, inicialmente conhecidos no sul como tobianos. Quando do retorno à São Paulo, estes cavalos passaram a ser gradualmente conhecidos no resto do país como os cavalos dos "Pampas" (codinome do Estado do Rio Grande do Sul). Mas o fato é que o nome pampa designa uma região do sul e o nome mais apropriado da pelagem, em portugues, seria malhado, até porque já é uma denominação utilizada em várias regiões do país, além de ser sinônimo de spotted - nome que deu origem a SSHEA - Spotted Saddle Horse Exibitores Association , a associação americana dos expositores do cavalo malhado de sela.
No Brasil existem duas associações de cavalos pampas, a ABCCPAMPA _ Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Pampa e a ACMM = Associação do Cavalo malhado Marchador. A primeira foi fundada em setembro de 1993 e registra pampas de praticamente todas as origem, com andamentos marchados e trotados. A ACMM foi fundada em janeiro de 2003 e registra somente pampas marchadores, de origem nas raças Mangalarga Marchador, Campolina e os tradicionais mangolinas, que na segunda metade do século IXX e inicio do século XX foram a base de formação de ambas as raças: Mangalarga Marchador e Campolina.

Cavalo Crioulo

Origens

Em 1493, os cavalos espanhóis pisam pela primeira vez em terra americana, na ilha Hispaniola, e são os antepassados diretos, de todos os cavalos "crioulos" americanos. Uma vez aclimatados ao novo ambiente e incrementada sua criação com as importações realizadas posteriormente, reproduziu-se com rapidez, em poucos anos, estendeu-se para as outras Antilhas e passou ao Continente. Ao que tudo indica, Panamá e Colômbia foram as primeiras regiões em importância na produção de rebanhos. Do Panamá passaram ao Peru, levados por Pizarro, onde começaram a multiplicar-se a partir de 1532. É também ali que chegam, em 1538, cavalos provenientes da criação de Santiago de Uruba (Colômbia). Charcas transforma-se, assim, em um importante centro produtor de eqüinos.
Contemporaneamente, Pedro de Mendoza (1535) e Alvar Núñez Cabeza de Vaca (1541) introduzem cavalos, diretamente da Espanha, no Rio da Prata e no Paraguai. Alonso Luis de Lugo se compromete a levar duzentos cavalos da Espanha para a conquista de Nova Granada e Hernando de Soto sai de San Lúcar de Barrameda (1538) com cem cavalos para sua expedição na Flórida. A partir deste momento, começa um verdadeiro intercâmbio de rebanhos eqüinos entre distintas regiões. Procedem de Charcas as manadas que Valdivia levou ao Chile, em 1541, as que Diego de Rojas levou para Tucumam, em 1548, e as que Luis de Cabrera levou para Córdoba, em 1573, e logo a seguir para Santa Fé. Nesta zona, mais ou menos na mesma época, chegam cavalos paraguaios, trazidos por Garay, descendentes daqueles que, 30 anos antes, Cabeza de Vaca introduziu diretamente da Espanha e dos que, em 1569, Felipe de Cáceres levou do Peru. Do Paraguai, procederam também os rebanhos eqüinos que chegaram à Buenos Aires, em 1580, levados por Juan de Garay e Adelantado Juan Torres de Vera e Aragón para Corrientes, em 1588. Do Chile, chegam à Argentina em 1561, através de Cuyo, rebanhos trazidos por Francisco de Aguirre, Castillo e outros.
Em 1605, entram no Chile os animais que o governador chileno Garcia Ramos levou do Rio da Prata e, em 1601, os que o Capitão López Vasques Pestaña levou de Tucumam. Verifica-se (Goulart, 1964) que a criação de cavalos se inicia nas reduções do Rio Grande do Sul em 1634, com os animais trazidos pelos padres jesuítas Cristóbal de Mendonza e Pedro Romero, de Corrientes, para onde os cavalos haviam sido levados, a partir de Assunção, por Alonso de Vera e Aragón, em 1588.
Paralelo a este movimento de rebanhos mansos, seja por abandono ou fuga dos domesticados, ou porque, com o correr dos anos, o número destes foi aumentando de tal forma que superou as possibilidades ou as necessidades dos primeiros habitantes de mantê- los sob controle no Norte e no Sul do continente americano, este primitivo rebanho crioulo se dispersou, formando enormes rebanhos selvagens que, no México e Estados Unidos, foram chamados de "mesteños" e "mustangs" e de "cimarrones", nas ilhas e América Central. No Rio da Prata os designaram como "baguales", o "kaitá" dos índios pampas que acompanharam o Dr. Zeballos (1834) em sua viagem ao Chile, ou "saguá", dos índios do Noroeste argentino. Dos dispersados, os "cimarrones", que habitaram os "lençóis dominicanos" ou "planos da Venezuela", diz-se que eram caçados no primeiro quarto do século XVIII. Roberto Cunninghame Graham (1946) diz em seu livro que, por esses anos, nos planos da Venezuela, era o único lugar da América onde podiam encontrar-se cavalos "cimarrones".
O "mustang" americano ou o "mesteño" mexicano tem origem parecida. Cabrera (1937 e 1945) e Denhardt (1947) explicam que não podiam ser cavalos abandonados ou perdidos pelas expedições de Cabeza de Vaca (1528, 1537), de Soto (1539, 1543) ou pela de Coronado (1540, 1542), porque a primeira não levava cavalos e as duas últimas praticamente perderam todas suas montarias, mortas por fadiga da viagem ou pelos índios. Acredita-se que foi Juan de Oñate, por volta de 1595, quem levou ao Sudoeste dos Estados Unidos os antepassados do "mustang".
Parte daqueles cavalos domesticados se dispersaram posteriormente das missões, fazendas ou "ranchos" atacados pelos índios e constituíram o que a literatura americana chamou de "cavalos selvagens", que eram cavalos mansos que viraram selvagens, "cimarrones" ou "baguales", segundo as denominações que lhes deram nos "lençóis dominicanos" ou na "pampa sul-americana". Dos originais "ginetes" andaluzes, possivelmente muitos morreram durante as conquistas, mas outros, sem dúvida, se reproduziram e seus descendentes, aclimatados pelo meio americano durante muitas gerações, forjaram essas populações crioulas, constituídas pelo "pequeno grande cavalo da América", como acertadamente batizou Guilherme Echenique.